Preparação dos jovens para mercado de trabalho “não deve começar só quando terminam curso”

Preparação dos jovens para mercado de trabalho “não deve começar só quando terminam curso”

Apesar dos riscos e desafios, Portugal está perto do pleno emprego. Contudo, entre os jovens, o cenário é menos animador, sendo o desemprego nessa faixa etária cerca do triplo da taxa global. Em declarações ao ECO, a pró-reitora da Universidade Católica para o campus do Porto garante que os alunos que estão a sair dessa instituição destoam desse retrato, com uma taxa de empregabilidade que ronda os 97%. O segredo? A preparação e a aproximação ao mercado começam muito antes do fim do curso, sublinha Isabel Braga da Cruz.

“Temos de olhar para isto como uma preparação para o mercado de trabalho, que não deve começar só quando os alunos terminam o curso“, salienta a responsável. “O tema da empregabilidade não pode ser visto apenas quando se acaba a licenciatura ou mestrado“, insiste.

Por isso, Isabel Braga da Cruz explica que a Católica tem procurado fomentar uma formação integrada, isto é, incentivar os alunos a serem “proativos e a envolverem-se em causas e nas empresas“. “Temos várias iniciativas, ao longo do percurso, que permitem esse desenvolvimento”, frisa a pró-reitora.

Por exemplo, têm sido promovidos estágios curriculares e criadas disciplinas nas quais os alunos se debruçam sobre problemas reais de organizações. Além disso, as empresas são convidadas, não raras vezes, para avaliarem os trabalhos dos alunos.

“Depois, procuramos desenvolver atividades muito ligadas ao voluntariado para trabalharmos os nossos alunos além da parte técnica. Aí, temos um mundo de atividades. No Porto, temos 40 grupos académicos ativos, desde o voluntariado junto de crianças ao junto de idosos”, salienta Isabel Braga da Cruz.

“Temos também o portal de emprego. Temos serviços que recolhem oportunidades internamente e divulgam junto dos nossos alunos.”

Isabel Braga da Cruz

Pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa para o campus do Porto

A estas iniciativas soma-se ainda um portal de oportunidades de trabalho. “Temos serviços que recolhem oportunidades internamente e divulgam junto dos nossos alunos”, adianta a responsável, que defende que a intenção não é formar o jovem como pessoa, não ficando pela parte somente profissional.

Com vista à empregabilidade jovem, a Católica tem apostado também em feiras de emprego. Ainda em novembro, aconteceu a 15.ª edição da RUMO, um dos “principais pontos de encontro entre estudantes, alumni e o tecido empresarial”, com a presença de 67 empresas em 73 stands.

Internacionalização: além de alunos, o investimento

Isabel Braga da Cruz é pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa para o campus do Porto

Isabel Braga da Cruz é clara: a Universidade Católica Portuguesa “tem noção” do que está a acontecer ao país, em termos demográficos, e está, portanto, consciente do desafio que isso trará às instituições de ensino superior, com a diminuição dos jovens.

Ainda assim, a pró-reitora nota que os números de inscritos na Católica não têm descido. “A nossa estratégia tem surtido efeito”, assegura a responsável, que considera que a aproximação às empresas tem sido uma “mais valia enorme” na atração de talento. “O facto de estarmos a ouvir o mercado permite-nos agilizar soluções que respondem bem aos desafios”, declara.

Por outro lado, Isabel da Braga Cruz avança que a internacionalização está no ADN da instituição da qual faz parte, sendo que cerca de 25% dos alunos da Católica não são nacionais. Há, neste momento, 113 nacionalidades no corpo discente dessa instituição.

“Mas, quando falamos em internacionalização, temos de falar não só de alunos, mas também de docentes, ecossistema, campus, e ainda de atração de investimento competitivo, consórcios internacionais e trabalhar em redes“, enumera a pró-reitora.

“Mas, quando falamos em internacionalização, temos de falar não só de alunos, mas também de docentes, ecossistema, campus, e ainda de atração de investimento competitivo, consórcios internacionais e trabalhar em redes.”

Isabel Braga da Cruz

Pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa para o campus do Porto

Quanto ao investimento, a responsável esclarece que se refere tanto a fundos europeus, como a privados, assinalando que Portugal tem vindo a afirmar-se como um “ecossistema de alta qualidade em termos de investigação e ciência”.

Além disso, é um país atrativo para o investimento por causa das questões de segurança, diz a mesma. Isto sobretudo num cenário como o atual, marcado pela instabilidade geopolítica.

sonia martins - contabilidade digital

Vamos transformar o seu negócio?