
Moçambique pode tornar-se uma economia desenvolvida ainda na primeira metade do século. A previsão foi feita em Adis Abeba, Etiópia, e partiu do economista norte-americano Jeffrey Sachs, que esteve reunido com o Presidente da República moçambicana, Daniel Chapo, no contexto da 39. ª Conferência Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA).
“Acredito que Moçambique, nos próximos 25 anos, pode tornar-se uma economia desenvolvida, com um crescimento muito rápido do seu Produto Interno Bruto (PIB)”, afirmou o também professor universitário e diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia, numa conversa norteada pela visão de transformação económica e desenvolvimento a longo prazo para o país, nomeadamente com a conversão das receitas do setor energético em educação, electrificação e infraestruturas estruturantes.
Durante aquela que foi a segunda reunião entre ambos em menos de um ano – Jeffrey Sachs e Daniel Chapo tinham-se encontrado em julho de 2025, em Sevilha -, o economista disponibilizou-se para dar apoio estratégico com foco no desenvolvimento ao Chefe de Estado e de Governo moçambicano, lê-se numa nota publicada na página oficial da Presidência de Moçambique.
Entre os pontos que formam aquela visão está a “criação do corredor com a África do Sul – que constitui uma grande oportunidade para desenvolver o setor turístico” do país, explicou Sachs, assinalando a localização estratégica de Moçambique e o seu potencial de integração regional.
Considerando as receitas da indústria extrativa, nomeadamente carvão mineral, areias pesadas e hidrocarbonetos – gás natural e petróleo -, Sachs defende um maior investimento no capital humano, em favor do desenvolvimento inclusivo e sustentável das gerações futuras. “O desenvolvimento dos projetos do gás natural representará um grande impulso, mas o rendimento que dali se gerar poderá também ser aplicado na promoção de uma educação de qualidade para todas as crianças”. Em termos de áreas prioritárias, listou também a eletrificação e a logística, através do investimento na “construção de infraestruturas, na garantia de eletrificação em todo o país” e na dinamização de corredores económicos.
Nas palavras de Jeffrey Sachs, Moçambique “representa uma perspectiva económica muito, muito empolgante”. “Há muito a fazer, há muito para construir, mas o potencial e a viabilidade prática de um desenvolvimento rápido estão, neste momento, ao alcance de Moçambique”, defendeu, citado na página da Presidência.