

Apesar do conflito do conflito aceso no Médio Oriente, a CyberX acaba de abrir escritório no Dubai, “um passo muito importante no processo de internacionalização” da startup de ethical hacking que, a partir de Portugal, presta serviços na área de segurança ofensiva para mercados na Europa, Brasil, EUA e Médio Oriente.
A ida ao Dubai de David Silva foi envolta em momentos de “grande tensão”. “A minha ida ao Dubai aconteceu logo após ter participado como speaker no WAM Saudi, na Arábia Saudita, onde tive a oportunidade de falar sobre 5G, fábricas inteligentes e cidades inteligentes, e sobre como a cibersegurança se torna um elemento fundamental nesse novo ecossistema tecnológico. Depois do evento segui para o Dubai para realizar reuniões com clientes e potenciais parceiros e acompanhar de perto um plano que vínhamos a preparar há vários meses. Desde o ano passado que estávamos a estudar o mercado da região, a criar ligações e a estruturar os próximos passos da expansão internacional da CyberX“, conta o cofundador e CEO da CyberX ao ECO/eRadar.
A viagem coincidiu com o início do ataque dos EUA e Israel ao Irão que, rapidamente, se alastrou à região, com o Irão a atacar nações vizinhas com drones. “Durante essa viagem acabámos por viver momentos de grande tensão devido à escalada do conflito envolvendo o Irão, com alertas frequentes no telemóvel sobre possíveis ataques. Durante várias noites a situação tornou-se particularmente difícil, com alarmes e uma sensação constante de incerteza”, relata.
“Apesar desse contexto desafiante, tudo correu bem e conseguimos concretizar o objetivo principal da viagem: hoje a CyberX já tem o seu escritório estabelecido no Dubai Silicon Oasis e iniciou oficialmente as suas operações nos Emirados Árabes Unidos. Temos estado em contacto direto com diversos parceiros locais que demonstraram grande interesse na nossa missão, no nosso compromisso com a segurança digital e na qualidade técnica do trabalho que desenvolvemos”, anuncia o empresário ao ECO/eRadar.
David Silva classifica esta abertura como um “passo muito importante no processo de internacionalização da CyberX”. “É apenas o começo“, refere. Nos planos de expansão internacional da companhia está ainda o reforço da “presença em mercados onde já existem clientes e expandir gradualmente para novas regiões com elevada procura por serviços de cibersegurança, com foco especial nos Estados Unidos e no Médio Oriente, além da continuação do crescimento na Europa”, diz.
A CyberX já tem o seu escritório estabelecido no Dubai Silicon Oasis e iniciou oficialmente as suas operações nos Emirados Árabes Unidos. Temos estado em contacto direto com diversos parceiros locais que demonstraram grande interesse na nossa missão, no nosso compromisso com a segurança digital e na qualidade técnica do trabalho que desenvolvemos.
“A empresa já atua de forma internacional e pretende consolidar essa presença através da expansão comercial dos seus serviços e do desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, mantendo uma estratégia de crescimento muito baseada em relações e proximidade com o ecossistema local”, aponta.
Hoje a CyberX opera de “forma remota e internacional”, tendo projetos realizados em Portugal, Espanha, Reino Unido, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Luxemburgo, Suíça e no Médio Oriente, para organizações de diferentes setores, com “destaque para fintechs e instituições financeiras, indústria automotiva e mobilidade, indústria alimentar, empresas de tecnologia e software, além de setores críticos como energia e água“, detalha David Silva.
Como tudo começou
Fundada em 2021, juntamente com Matheus Reis, a CyberX nasceu após a conclusão do mestrado de David Silva em cibersegurança em Portugal. “Durante mais de uma década trabalhei como ethical hacker, ajudando as empresas a descobrir falhas de segurança antes que fossem exploradas por criminosos. Com o tempo, comecei também a realizar projetos como freelancer e percebi algo preocupante: muitas organizações estavam expostas a riscos simplesmente porque não tinham acesso fácil a especialistas qualificados em segurança, ou simplesmente não sabiam dessa necessidade”, conta David Silva.
“A procura por esse tipo de serviço começou a crescer rapidamente e já não era possível fazer tudo sozinho. Foi nesse momento que surgiu a decisão de transformar aquele trabalho individual em algo maior. Quando me mudei para Portugal para realizar o meu mestrado em cibersegurança, continuei a desenvolver esses projetos e a construir uma rede de clientes. Após concluir o mestrado, convidei o meu sócio Matheus Reis e juntos fundámos a CyberX”, refere.
Até ao momento, a empresa não levantou capital junto de investidores externos, tendo sido desde o seu arranque “totalmente bootstrapped“ e desenvolvida com capital próprio dos fundadores. “Desde o início, optámos por crescer de forma sustentável, reinvestindo as receitas geradas pelos próprios projetos da empresa para financiar a operação, expandir a equipa e desenvolver novas iniciativas. Essa abordagem permitiu manter independência estratégica e controlo total sobre o rumo da empresa”, diz.
Também não há planos imediatos para levantar capital. “Não é uma prioridade para a CyberX, uma vez que a empresa tem crescido de forma sustentável com recursos próprios. No entanto, estamos sempre abertos a conversar com potenciais investidores caso surjam oportunidades estratégicas que possam acelerar o desenvolvimento de novos produtos ou a expansão internacional da empresa”, afirma.
Do ethical hacking à defesa
A CyberX atua na área de segurança ofensiva. Ou seja, “simula ataques informáticos de forma ética e controlada para descobrir falhas antes que criminosos as explorem”, explica o empreendedor. Na prática, testam sistemas, aplicações e infraestruturas críticas da mesma forma que um atacante faria, e depois ajudam as empresas a corrigir esses problemas.
Entre os principais serviços estão os testes de intrusão (pentests), pentests físicos, análise de vulnerabilidades com scanners, red teaming, campanhas de phishing para treinar colaboradores, formações e workshops, análise forense, e recentemente, compliance (ISO27001, NIS2, etc.), detalha.
Vemos um grande potencial na intersecção entre segurança digital e defesa física. Nesse contexto, estamos a desenvolver o The O, uma plataforma baseada em inteligência artificial que analisa grandes volumes de informação pública na internet para identificar sinais antecipados de possíveis ameaças, como incidentes de segurança, desinformação ou até riscos no mundo físico.
O foco da empresa está, sobretudo, na cibersegurança para empresas e organizações, na proteção de sistemas, aplicações e infraestruturas digitais contra ataques, mas há planos para estender essa rede de segurança digital ao mundo físico.
David Silva explica: “Vemos um grande potencial na intersecção entre segurança digital e defesa física. Nesse contexto, estamos a desenvolver o The O, uma plataforma baseada em inteligência artificial que analisa grandes volumes de informação pública na internet para identificar sinais antecipados de possíveis ameaças, como incidentes de segurança, desinformação ou até riscos no mundo físico”, revela. “A ideia é complementar a cibersegurança tradicional com capacidades de análise e prevenção mais amplas, contribuindo não apenas para a proteção de sistemas digitais, mas também para a antecipação de eventos que possam impactar a segurança de organizações e sociedades”, aponta quando questionado sobre se a empresa estava também a equacionar avançar para serviços no setor de defesa.
“Um dos principais diferenciais da CyberX é que trabalhamos apenas com especialistas seniores, todos com certificações internacionais em cibersegurança e experiência real de mercado. Ou seja, não é apenas conhecimento teórico, são profissionais que já atuaram em projetos complexos e sabem exatamente como os ataques acontecem na prática”, destaca.
Hoje a empresa, conta com uma equipa de cerca de 17 profissionais, trabalhando maioritariamente em modelo contract-based com ethical hackers especializados. E há planos de reforço do talento. “Em princípio queremos dobrar a equipa em dois anos ou em menos tempo.”