Ações europeias e ouro caem para mínimos de quatro meses com ameaças mútuas no Médio Oriente

Ações europeias e ouro caem para mínimos de quatro meses com ameaças mútuas no Médio Oriente

As bolsas europeias seguiram as principais congéneres asiáticas e abriram a semana em queda, castigadas pela troca mútua de ameaças entre os Estados Unidos e o Irão, numa altura em que o ouro regista um tombo de 8% e apaga os ganhos do ano.

“Como era de esperar, a semana começa com muitos mercados novamente em desvantagem, enquanto os investidores aguardam para ver o que resultará do ultimato de 48 horas dado pelo presidente Trump ao Irão para que reabra o Estreito de Ormuz”, afirmaram os analistas do britânico Lloyds Bank, numa nota de research a que o ECO teve acesso.

O Irão afirmou no domingo que atacaria os sistemas de energia e abastecimento de água dos seus vizinhos do Golfo caso o presidente dos EUA, Donald Trump, levasse a cabo a ameaça (emitida às 23h40 de sábado) de atacar a rede elétrica iraniana em 48 horas, extinguindo qualquer esperança de um fim rápido para um guerra, que está na quarta semana.

Trump advertiu que o Irão tinha dois dias para reabrir totalmente o vital Estreito de Ormuz, que se encontra efetivamente fechado à maioria dos navios, com poucas perspetivas de proteção naval para a navegação.

Na Ásia, o principal índice da bolsa de Tóquio, o Nikkei, encerrou com uma queda de 3,48%, enquanto o sul-coreano Kospi cedeu 6,49%. As economias dos dois países são altamente dependentes de energia importada, incluindo petróleo do Golfo, o que tem pressionado as bolsas.

Os países europeus vivem com o mesmo problema de dependência energética externa. O índice pan-europeu Stoxx cai esta segunda-feira 1,80% para mínimos de quatro meses, com todas as principais praças do continente no ‘vermelho‘. O alemão DAX e o espanhol IBEX tombam 2,15%, enquanto as bolsas de Paris, Londres e Lisboa perdem perto de 1,8%.

Todos os setores europeus arrancaram em queda, com destaque para os da aviação, que cai 3,3%, e o do aeroespaço e defesa, que recua 3,15%. O encerramento Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo a nível global, reacendeu os receios quanto à inflação, levando os investidores a prever agora pelo menos dois aumentos de 25 pontos base nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu este ano, de acordo com dados compilados pela LSEG, contra zero no início do ano.

Ouro tomba 8%

O ouro chegou a afundar mais de 8% por onça na segunda-feira, atingindo o nível mais baixo em quatro meses, depois de ter registado a sua maior perda semanal em cerca de 43 anos na semana passada, à medida que a escalada do conflito no Médio Oriente alimentou os receios de inflação e aumentou as expectativas de subidas das taxas de juro globais. Às 8h54, o metal precioso cai 7,60% para 4.259 dólares por onça.

“Com o conflito iraniano a entrar na sua quarta semana e os preços do petróleo a rondarem os 100 dólares, as expectativas passaram de cortes nas taxas de juro para possíveis subidas das mesmas, o que prejudicou o apelo do ouro do ponto de vista do rendimento”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade, citado pela Reuters.

Os preços do petróleo sobem, depois de a Guarda Revolucionária do Irão ter afirmado que atacaria as centrais elétricas de Israel e as que abastecem as bases norte-americanas no Médio Oriente, em retaliação a qualquer ataque ao seu setor elétrico.

Os futuros do Brent avançam 2,37% para 108.95 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA ganha 1,15% para 99,37 dólares por barril, Ambos os contratos chegaram a cair um dólar, após um ganho inicial de 1 dólar no volátil mercado asiático.

“O sentimento em relação ao petróleo pode oscilar devido a ameaças e retórica no curto prazo, mas a sua direção mais duradoura continuará a ser moldada pela situação dos fluxos de petróleo no Médio Oriente“, afirmou Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, empresa de análise do mercado petrolífero, à Reuters.

sonia martins - contabilidade digital

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